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Coletiva do musical ‘My Fair Lady’
23 de agosto de 2016
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Bastidores do musical ‘Godspell’
14 de setembro de 2016

Coletiva do musical ‘Gota D’Água [A Seco]’

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Em dezembro de 1975, Bibi Ferreira subia ao palco do Teatro Tereza Rachel para estrear ‘Gota D’Água’, transposição da tragédia grega ‘Medeia’, de Eurípedes, para a realidade de um conjunto habitacional do subúrbio carioca. A feiticeira Medeia virou Joana, moradora do conjunto habitacional Vila do Meio-Dia, mãe de dois filhos, frutos de seu casamento com Jasão, alguns anos mais novo do que ela. Compositor popular, Jasão é cooptado pelo empresário Creonte, que o ajuda a fazer sucesso, e termina por largar Joana para se casar com a filha do milionário. A trama passional – que culmina na vingança de Joana – tem como pano de fundo as injustiças sociais pelas quais os moradores do local passam, vítimas da exploração de Creonte, todo-poderoso da região.

Com um arrojado texto em versos de Chico Buarque e Paulo Pontes, o espetáculo marcou época e se tornou um clássico moderno do Teatro Brasileiro. Mais de quatro décadas depois, a história volta à cena com uma adaptação absolutamente inédita do diretor Rafael Gomes. Batizada de ‘Gota D’Água [A Seco]’, a nova versão conta com apenas dois atores em cena, Laila Garin e Alejandro Claveaux, acompanhados de cinco músicos, sob a direção musical de Pedro Luís.

Como ‘a seco’ do título já indica, a nova montagem busca chegar à essência da história, através dos embates entre os protagonistas, Joana e Jasão, ainda que outros personagens do original também apareçam na adaptação. Mesmo com parte da trama sociopolítica reduzida na versão, Rafael Gomes reitera que a sua leitura da peça é focada em sua natureza política, cruelmente atual:

Ao concentrar a história em Joana e Jasão, em suas ideologias, ações e sentimentos, eu gostaria ainda assim de falar sobre essa política mais essencial da vida, do dia a dia, essa que a maioria das pessoas sublima, esquece ou finge que não é com elas, achando que ser político é somente saber apontar o dedo para o adversário e se manifestar eventualmente por aquilo que interessa, de forma um tanto o quanto individualista’, afirma o diretor.

Com esta nova e enxuta adaptação, as músicas que não estavam no original entram justamente para servir à dramaturgia, ao contar partes da história, revelar melhor o caráter e as contradições das personagens, além de amplificar alguns contextos e situações que precisaram ser sumarizados. A entrada de Pedro Luís na direção musical vem ao encontro da vontade de não fazer necessariamente um musical tradicional. ‘É um arejamento, um olhar diferente. Pedro fará com as canções, todas já tão conhecidas e consagradas, o que eu pretendo fazer com a dramaturgia: dar uma nova dimensão, jogar uma luz por um lado que não estamos acostumados a ver. Isso não implica em uma ambição de “melhorar” nada, apenas de tentar pensar e criar por um caminho menos óbvio’, ressalta Rafael.