ABERTURA - MINAS GERAIS

Com o coração aberto em vento

Por toda eternidade

Com o coração doendo

De tanta felicidade

Coração, coração, coração

Coração, coração, coração 

Coração

Todas as canções inutilmente

Todas as canções eternamente

Todas as canções eternamente

Jogos de criar, sorte e azar

CANÇÃO AMIGA


Eu preparo uma canção

Em que minha mãe se reconheça

Todas as mães se reconheçam

E que fale como dois olhos

Caminho por uma rua

Que passa em muitos países

Se não me vêem, eu vejo

E saúdo velhos amigos

Eu distribuo um segredo

Como quem ama ou sorri

Do jeito mais natural

Dois caminhos se procuram

Minha vida, nossas vidas

Formam um só diamante

Aprendi novas palavras

E tornei outras mais belas

Eu preparo uma canção

Que faça acordar os homens

E adormecer as crianças

Eu preparo uma canção

Que faça acordar os homens

E adormecer as crianças

CIGARRA


Porque você pediu uma canção para cantar

Como a cigarra arrebenta de tanta luz

E enche de som o ar

Porque a formiga é a melhor amiga da cigarra

Raízes da mesma fábula que ela arranha

Tece e espalha no ar

Porque ainda é inverno em nosso coração

Essa canção é para cantar

Como a cigarra acende o verão e ilumina o ar

BICHO HOMEM

Bicho homem tem de cantar

Como canta o sabiá

Bicho home tem de cantar

Na luz da lua, na luz do sol

Todo canto tem o poder

De unir e nos revelar

Todo canto é um farol

Acende a paixão que há

No fundo de cada um

Ilumina o passarinho

Que o homem tem no interior

Todo canto sempre será

O contrário da solidão

Todo homem quer ser parceiro

Quer festejar

Cantar, cantar, cantar

O meu canto sempre vai ser

Minha vida, o que eu sou

O meu canto chuta o traseiro do ditador

O meu canto sempre vai ser

Minha vida, o que eu sou

Minha dor, minha alegria e meu amor

Meu canto há de chamar

Para a festa para o sol

O meu canto quer ser menino

Quer ser palhaço

Quer ser Brasil

O meu canto quer alegrar

Quer brincar e se divertir

Não é sério e nem é triste

Só é um canto e cantar é preciso

Meu canto há de chamar

Para a festa para o sol

O meu canto quer ser menino

Quer ser palhaço

Quer ser Brasil

O meu canto quer alegrar

Quer brincar e se divertir

Não é sério e nem é triste

Só é um canto e cantar é preciso

MEDLEY - NOS BAILES DA VIDA

Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão

Que muita gente boa pôs o pé na profissão

De tocar um instrumento e de cantar

Não importando se quem pagou quis ouvir

Foi assim

Da janela lateral do quarto de dormir

Vejo uma igreja, um sinal de glória

Vejo um muro branco e um vôo pássaro

Vejo uma grade, um velho sinal

Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol

Tenho comigo as lembranças do que eu era

Para cantar nada era longe, tudo tão bom

Pé na estrada de terra na boleia de um caminhão

Era assim

Vento solar e estrelas do mar

Você ainda quer morar comigo?

Se eu cantar, não chore não

É só poesia

Eu só preciso ter você

Por mais um dia

Ainda gosto de dançar

Bom dia

Como vai você?

Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão

Todo artista tem de ir aonde o povo está

Se foi assim, assim será

Cantando me desfaço e não me canso de viver

Nem de cantar

Você pega o trem azul

O sol na cabeça 

O sol pega o trem azul

Você na cabeça

O sol na cabeça

Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol

Tenho comigo as lembranças do que eu era

Para cantar nada era longe, tudo tão bom

Pé na estrada de terra na boleia de um caminhão

Era assim

Se você deixar o coração bater sem medo

Se você deixar o coração bater sem medo

Se você deixar o coração bater sem medo

Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão

Todo artista tem de ir aonde o povo está

Se foi assim, assim será

Cantando me desfaço e não me canso de viver

O meu pensamento tem a cor do seu vestido

Como um girassol que tem a cor do seu cabelo

O meu pensamento tem a cor do seu vestido

Como um girassol que tem a cor do seu cabelo

Cantando me desfaço e não me canso de viver

Nem de cantar

CLUBE DA ESQUINA Nº2


Porque se chamava moço

Também se chamava estrada

Viagem de ventania

Nem lembra se olhou prá trás

Ao primeiro passo asso asso asso asso asso

Porque se chamavam homens

Também se chamavam sonhos

E sonhos não envelhecem

Em meio a tantos gases lacrimogêneos

Ficam calmos calmos calmos calmos calmos calmos

E lá se vai mais um dia

E basta contar compasso

E basta contar consigo

Que a chama não tem pavio

De tudo se faz canção 

E o coração na curva de um rio rio

Rio rio rio rio rio

E lá se vai mais um dia

E o rio de asfalto e gente

Entorna pelas ladeiras

Entope o meio fio

Esquina mais de um milhão

Quero ver então a gente gente

Gente gente gente gente gente

E lá se vai mais um dia

CLUBE DA ESQUINA


Noite chegou outra vez

De novo na esquina os homens estão

Todos se acham mortais

Dividem a noite, a lua, até solidão

Neste clube, a gente sozinha se vê pela última vez

À espera do dia naquela calçada

Fugindo de outro lugar

Perto da noite estou

O rumo encontro nas pedras, encontro de vez

Um grande país eu espero

Espero do fundo da noite chegar

Mas agora eu quero tomar suas mãos

Vou buscá-la onde for

Venha até a esquina

Você não conhece o futuro que tenho nas mãos

Agora as portas vão todas se fechar

No claro do dia o novo encontrarei

E no curral D'El Rey

Janelas se abrem ao negro do mundo lunar

Mas eu não me acho perdido

No fundo da noite partiu minha voz

Já é hora do corpo vencer a manhã

Outro dia já vem

E a vida se cansa na esquina fugindo

Fugindo pra outro lugar

AQUI É O PAÍS DO FUTEBOL


Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo desse país

Ao longo das avenidas

Nos campos de terra e grama

Brasil só é futebol

Nesses noventa minutos

De emoção e alegria

Esqueço a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

Dinheiro fica lá fora

A cama

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo desse país

Ao longo das avenidas

Nos campos de terra e grama

Brasil só é futebol

Nesses noventa minutos

De emoção e de alegria

Esqueço a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

Dinheiro fica lá fora

A cama fica lá fora

A família fica lá fora

O salário fica lá fora

E tudo fica lá fora

BOLA DE MEIA, BOLA DE GUDE

Há um menino

Há um moleque

Morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto balança

Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente

Um sol bem quente lá no meu quintal

Toda vez que a bruxa me assombra

O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas

Que eu acredito

Que não deixarão de existir

Amizade, palavra, respeito

Caráter, bondade alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero

Viver como toda essa gente

Insiste em viver

E não posso aceitar sossegado

Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude

O solidário não quer solidão

Toda vez que a tristeza me alcança

O menino me dá a mão

Há um menino

Há um moleque

Morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto fraqueja

Ele vem pra me dar a mão

Bola de meia, bola de gude

O solidário não quer solidão

Toda vez que a tristeza me alcança

O menino me dá a mão

Há um menino

Há um moleque

Morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto fraqueja

Ele vem pra me dar a mão

RAÇA


Lá vem a força, lá vem a magia

Que me incendeia o corpo de alegria

Lá vem a santa, maldita euforia

Que me alucina, me joga e me rodopia

Lá vem o canto, o berro de fera

Lá vem a voz de qualquer primavera

Lá vem a unha rasgando a garganta

A fome, a fúria, o sangue que já se levanta

De onde vem essa coisa tão minha

Que me aquece e me faz carinho?

De onde vem essa coisa tão crua

Que me acorda e me põe no meio da rua?

É um lamento, um canto mais puro

Que ilumina a casa escura

É minha força, é nossa energia

Que vem de longe prá nos fazer companhia

É Clementina cantando bonito 

As aventuras do seu povo aflito

É Seu Francisco, boné e cachimbo

Me ensinando que a luta é mesmo comigo

Todas Marias, Maria Dominga

Atraca Vilma e Tia Hercília

É Monsueto e é Grande Otelo

Atraca, atraca que o Naná vem chegando

CAXANGÁ


Saio do trabalho, ei

Volto para casa, ei

Não lembro de canseira maior

Em tudo é o mesmo suor

Veja bem meu patrão

Como pode ser bom

Você trabalharia no sol

E eu tomando banho de mar

Em volta do fogo todo mundo abrindo o jogo

Conta o que tem pra contar

Casos e desejos, coisas dessa vida e da outra

Mas nada de assustar

Quem não é sincero sai da brincadeira correndo

Pois pode se queimar

Luto para viver

Vivo para morrer

Enquanto minha morte não vem

Eu vivo de brigar contra o rei

MORRO VELHO


No sertão da minha terra

Fazenda é o camarada que ao chão se deu

Fez a obrigação com força

Parece até que tudo aquilo ali é seu

Só poder sentar no morro

E ver tudo verdinho, lindo a crescer

Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada

Filho de branco e do preto

Correndo pela estrada atrás de passarinho

Pela plantação adentro

Crescendo os dois meninos, sempre pequeninos

Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha

Dá pro fundo ver

Orgulhoso camarada, conta histórias pra moçada

Filho do senhor vai embora

Tempo de estudos na cidade grande

Parte, tem os olhos tristes

Deixando o companheiro na estação distante

Não esqueça, amigo, eu vou voltar

Some longe o trenzinho ao deus-dará

Quando volta já é outro

Trouxe até sinhá mocinha para apresentar

Linda como a luz da lua

Que em lugar nenhum rebrilha como lá

Já tem nome de doutor

E agora na fazenda é quem vai mandar

E seu velho camarada já não brinca mais

E seu velho camarada já não brinca, mas trabalha

MARIA, MARIA


Mas é preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre

Quem traz no corpo a marca

Maria, Maria

Mistura a dor e a alegria

Maria, Maria

É um dom

Uma certa magia

Uma força que nos alerta

Uma mulher que merece

Viver e amar

Como outra qualquer do planeta

Maria, Maria

É o som, é a cor, é o suor

É a dose mais forte e lenta

De uma gente que ri

Quando deve chorar

E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter manha

É preciso ter graça

É preciso ter sonho sempre

Quem traz na pele essa marca

Possui a estranha mania

De ter fé na vida

É uma gente que ri

Quando deve chorar

E não vive, apenas aguenta

A LUA GIROU

A lua girou, girou

Traçou no céu um compasso

A lua girou, girou

Traçou no céu um compasso

Eu bem queria fazer um

Travesseiro dos seus braços

Eu bem queria fazer

Travesseiro dos meus braços

Só não faz se quiser

Um travesseiro dos meus braços

Só não faz se não quiser

Sustenta a palavra de homem

Que eu mantenho a de mulher

Sustenta a palavra de homem

A lua girou, girou

CAICÓ


Ó mana deixa eu ir, ó mana eu vou só

Ó mana deixa eu ir para o sertão do caicó

Ó mana deixa eu ir, ó mana eu vou só

Ó mana deixa eu ir para o sertão do Caicó

Eu vou cantando com aliança no dedo 

Eu aqui só tenho medo do mestre Zé Mariano

Mariazinha botou flores na janela

Pensando em vestido branco, véu e flores na capela

Ó mana deixa eu ir, ó mana eu vou só

Ó mana deixa eu ir para o sertão do caicó

Ó mana deixa eu ir, ó mana eu vou só

Ó mana deixa eu ir para o sertão do Caicó

Cantando com aliança no dedo 

Eu aqui só tenho medo é do mestre Zé Mariano

Mariazinha botou flores na janela

Pensando em vestido branco, véu e flores na capela

Ó mana deixa eu ir, ó mana eu vou só

Ó mana deixa eu ir para o sertão do caicó

Ó mana deixa eu ir, ó mana eu vou só

Ó mana deixa eu ir para o sertão do Caicó

PAULA E BEBETO


Ê vida, vida, que amor brincadeira, à vera

Eles se amaram de qualquer maneira, à vera

Qualquer maneira de amor vale a pena

Qualquer maneira de amor vale amar

Pena, que pena, que coisa bonita, diga

Qual a palavra que nunca foi dita, diga

Qualquer maneira de amor vale aquela

Qualquer maneira de amor vale amar

Qualquer maneira de amor vale a pena

Qualquer maneira de amor valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos

Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito

Qualquer maneira que eu cante este canto

Qualquer maneira me vale cantar

Eles se amam de qualquer maneira, à vera

Eles se amam é pra vida inteira, à vera

Qualquer maneira de amor vale o canto

Qualquer maneira me vale cantar

Qualquer maneira de amor vale aquela

Qualquer maneira de amor valerá

Pena, que pena, que coisa bonita, diga

Qual a palavra que nunca foi dita, diga

Qualquer maneira de amor vale o canto

Qualquer maneira me vale cantar

Qualquer maneira de amor vale aquela

Qualquer maneira de amor valerá

SAUDADE DOS AVIÕES DA PANAIR


Lá vinha o bonde no sobe e desce ladeira

E o motorneiro parava a osquestra um minuto

Para me contar casos da campanha da Itália

E do tiro que ele não levou

Levei um susto imenso nas asas da Panair

Descobri que as coisas mudam e que tudo é pequeno

Nas asas da Panair

E lá vai menino xingando padre e pedra

E lá vai menino lambendo podre delícia 

E lá vai menino senhor de todo fruto

Sem nenhum pecado sem pavor

O medo em minha vida nasceu muito depois

Descobri que minha arma é o que a memória guarda

Dos tempos da Panair

Nada de triste existe que não se esqueça

Alguém insiste e fala ao coração

Tudo de triste existe e não se esquece

Alguém insiste e fere o coração

Nada de novo existe nesse planeta

Que não se fale aqui na mesa de bar

E aquela briga e aquela fome de bola

E aquele tango e aquela dama da noite

E aquela mancha e a fala oculta

Que no fundo do quintal morreu

Morri a cada dia dos dias que eu vivi

Cerveja que tomo hoje é apenas em memória

Dos tempos da Panair

A primeira coca-cola foi, me lembro bem agora 

Nas asas da Panair

A primeira coca-cola foi, me lembro bem agora 

Nas asas da Panair

A maior das maravilhas foi voando sobre o mundo

Nas asas da Panair

Em volta dessa rua velhos e moços

Lembrando o que já foi

Em volta dessa mesa existem outras falando tão igual

Em volta dessas mesas existe a rua

Vivendo seu normal

Em volta dessa rua uma cidade sonhando seus metais

Em volta da cidade

CAÇADOR DE MIM


Por tanto amor, por tanta emoção

A vida me fez assim

Doce ou atroz, manso ou feroz

Eu, caçador de mim

Preso a canções

Entregue a paixões

Que nunca tiveram fim

Vou me encontrar longe do meu lugar

Eu, caçador de mim

Nada a temer, senão o correr da luta

Nada a fazer, senão esquecer o medo

Abrir o peito à força numa procura

Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais

Mas onde se chega assim

Vou descobrir o que me faz sentir

Eu, caçador de mim

Nada a temer, senão o correr da luta

Nada a fazer, senão esquecer o medo

Abrir o peito à força numa procura

Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais

Mas onde se chega assim

Vou descobrir o que me faz sentir

Eu, caçador de mim

MILAGRE DOS PEIXES


Eu vejo esses peixes e vou de coração

Eu vejo essas matas e vou de coração à natureza

Telas falam colorido de crianças coloridas

De um gênio televisor

E no ardor de nossos novos santos

O sinal de velhos tempos

Morte, morte, morte ao amor

Eles não falam do mar e dos peixes

Nem deixam ver a moça, pura canção

Nem ver nascer a flor, nem ver nascer o sol

E eu apenas sou um a mais, um a mais

A falar dessa dor

A nossa dor

Desenhando nessas pedras

Tenho em mim todas as cores

Quando falo coisas reais

E no silêncio dessa natureza

Eu que amo meus amigos

Livre, quero poder dizer

Eu vejo esses peixes e dou de coração

Eu vejo essas matas e vou de coração

Eu tenho esses peixes e dou de coração

Eu tenho essas matas e vou de coração

CAIS


Para quem quer se soltar

Invento o cais

Invento mais que a solidão me dá

Invento lua nova a clarear

Invento o amor e sei a dor de encontrar

Eu queria ser feliz

Invento o mar

Invento em mim o sonhador

Para quem quer me seguir

Eu quero mais

Tenho o caminho do que sempre quis

E um saveiro pronto pra partir

Invento o cais

E sei a vez de me lançar

ENCONTROS E DESPEDIDAS


Mande notícias do mundo de lá

Diz quem fica

Me dê um abraço, venha me apertar

Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir

Sem ter planos

Melhor ainda é poder voltar

Quando quero

Todos os dias é um vai e vem

A vida se repete na estação

Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai e quer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir

São só dois lados

Da mesma viagem

O trem que chega

É o mesmo trem da partida

A hora do encontro

É também de despedida

A plataforma dessa estação

É a vida desse meu lugar

É a vida desse meu lugar

É a vida

É a vida desse meu lugar

É a vida

É a vida desse meu lugar

É a vida

CANÇÃO DA AMÉRICA


Why did you do leave this town, my friend

Do you remember that too

The song you sang to me

Asking about the friends

Who were leaving the town

You didn’t see, but I cried

Because it was my time to go

You were so sad

I didn’t know what to do

But to leave with that song leaving you

You were so sad

I didn’t know what to do

But to leave with that song leaving you

Do you remember that too, my friend

I can remember you saying

Maybe those people are searching

For their place

Maybe their time isn’t here

But you could never understand

Because it was your time to stay

But always the same goes on

Always the same goes on

Now you left the town and I’m here

Looking for you

Now you left the town and I’m here

Looking for you

Mas seja o que vier

Venha o que vier

Qualquer dia, amigo, eu volto

A te encontrar

Qualquer dia, amigo, a gente

Vai se encontrar

CORAÇÃO DE ESTUDANTE


Quero falar de uma coisa

Adivinha onde ela anda

Deve estar dentro do peito

Ou caminha pelo ar

Pode estar aqui do lado

Bem mais perto que pensamos

A folha da juventude

É o nome certo desse amor

Já podaram seus momentos

Desviaram seu destino

Seu sorriso de menino

Quantas vezes se escondeu

Mas renova-se a esperança

Nova aurora, cada dia

E há que se cuidar do broto

Pra que a vida nos dê flor

Flor e fruto

PONTA DE AREIA


Ponta de areia ponto final

Da Bahia a Minas estrada natural

Que ligava Minas ao porto ao mar

Caminho de ferro mandaram arrancar

Velho maquinista com seu boné

Lembra o povo alegre que vinha cortejar

Maria fumaça não canta mais

Para moças flores janelas e quintais

Na praça vazia um grito, ai

Casas esquecidas viúvas nos portais

ROUPA NOVA

Todos os dias, toda manhã

Sorriso aberto e roupa nova

Passarinho preto de terno branco

Pinduca vai esperar o trem

Todos os dias, toda manhã

Ele sozinho na plataforma

Ouve o apito, sente a fumaça

E vê chegar o amigo trem

Que acontece que nunca parou

Nessa cidade de fim de mundo

E quem viaja pra capital

Não tem olhar para o braço que acenou

O gesto humano fica no ar

O abandono fica maior

E lá na curva desaparece asua fé

Homem que é homem não perde a esperança não

Ele vai parar

Quem é teimoso não sonha outro sonho não

Qualquer dia ele pára

E assim Pinduca toda manhã

Sorriso aberto e roupa nova

Passarinho preto de terno branco

Vem renovar a sua fé

Homem que é homem não perde a esperança não

Ele vai parar

Quem é teimoso não sonha outro sonho não

Qualquer dia ele pára

E assim Pinduca toda manhã

Sorriso aberto e roupa nova

Passarinho preto de terno branco

Vem renovar a sua fé

A sua fé

FÉ CEGA, FACA AMOLADA


Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada

Agora não espero mais aquela madrugada

Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada

O brilho cego de paixão e fé, faca amolada

Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo

Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo

Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar faca amolada

Irmão, irmã, irmã, irmão de fé faca amolada

Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia

Beber o vinho e renascer na luz de cada dia

A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada

O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada

Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia

Deixar o seu amor crescer na luz de cada dia

Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo

O brilho cego de paixão e fé, faca amolada

CREDO / SAN VICENTE


Caminhando pela noite de nossa cidade

Acendendo a esperança e apagando a escuridão

Vamos caminhando pelas ruas de nossa cidade

Viver derramando a juventude pelos corações

Tenha fé no nosso povo que ele resiste

Tenha fé no nosso povo que ele insiste

Coração americano

Acordei de um sonho estranho

Um gosto, vidro e corte

Um sabor de chocolate

No corpo e na cidade

Um sabor de vida e morte

Coração americano

Um sabor de vidro e corte

A espera na fila imensa

E o corpo negro se esqueceu

Estava em San Vicente

A cidade e suas luzes

Estava em San Vicente

As mulheres e os homens

Coração americano

Um sabor de vidro e corte

As horas não se contavam

E o que era negro anoiteceu

Enquanto se esperava

Eu estava em San Vicente

Enquanto acontecia

Eu estava em San Vicente

Coração americano

Um sabor de vidro e corte

Coração americano

PARA LENNON E MCCARTNEY


Por que vocês não sabem do lixo ocidental?

Não precisam mais temer

Não precisam da solidão

Todo dia é dia de viver

Por que você não verá meu lado ocidental?

Não precisa medo não

Não precisa da timidez

Todo dia é dia de viver

Eu sou da América do Sul

Eu sei vocês não vão saber

Mas agora eu sou cowboy

Sou do ouro, eu sou vocês

Sou do mundo, sou Minas Gerais

Todo dia é dia de viver

Eu sou da América do Sul

Eu sei vocês não vão saber

Mas agora eu sou cowboy

Sou do ouro, eu sou vocês

Sou do mundo, sou Minas Gerais

Eu sou da América do Sul

Eu sei vocês não vão saber

Mas agora eu sou cowboy

Sou do ouro, eu sou vocês

Sou do mundo, sou Minas Gerais

O QUE FOI FEITO DEVERA


O que foi feito, amigo

De tudo que a gente sonhou

O que foi feito da vida

O que foi feito do amor

Quisera encontrar aquele verso menino

Que escrevi a tantos anos atrás

Falo assim sem saudade

Falo assim por saber

Se muito vale o já feito

Mais vale o que será

Mais vale o que será

E o que foi feito é preciso conhecer

Para melhor prosseguir

Falo assim sem tristeza

Falo por acreditar

Que é cobrando o que fomos

Que nós iremos crescer

Nós iremos crescer

Outros Outubros virão

Outras manhãs plenas de sol e de luz

Alertem todos alarmas

Que o homem que eu era voltou

A tribo toda reunida

Ração dividida ao sol

E nossa vera cruz

Quando o descanso era luta pelo pão

E aventura sem par

Quando o cansaço era rio

E rio qualquer dava pé

E a cabeça rolava num gira-girar de amor

E até mesmo a fé não era cega nem nada

Era só nuvem no céu e raiz

Hoje essa vida só cabe

Na palma da minha paixão

Devera nunca se acabe

Abelha fazendo o seu mel

No canto que criei

Nem vá dormir como pedra e esquecer

O que foi feito de nós

CANTO LATINO / SENTINELA / MENINO


Você que é tão avoada

Pousou em meu coração

Moça, escuta esta toada

Cantada em sua intenção

Nasci com a minha morte

Dela não vou abrir mão

Não quero o azar da sorte

Nem da morte ser irmão

Da sombra eu tiro o meu sol

E do fio da canção

Amarro essa certeza

De saber que cada passo

Não é fuga nem defesa

Não é ferrugem no aço

Morte vela, sentinela sou

Do corpo desse meu irmão que já se vai

Revejo nessa hora tudo que ocorreu

Memória não morrerá

Quem cala sobre teu corpo

Consente na tua morte

Talhada a ferro e fogo

Nas profundezas do corte

Que a bala riscou no peito

Quem cala morre contigo

Longe, longe, ouço essa voz

Que o tempo não vai levar

Longe, longe, ouço essa voz

Que o tempo não vai levar

AMOR DE ÍNDIO


Tudo que move é sagrado

E remove as montanhas

Com todo cuidado, meu amor

Enquanto a chama arder

Todo dia te ver passar

Tudo viver ao teu lado

Com o arco da promessa

No azul pintado pra durar

Abelha fazendo mel

Vale o tempo que não voou

A estrela caiu do céu

O pedido que se pensou

O destino que se cumpriu

De sentir teu calor

E ser todo

Todo dia é de viver

Para ser o que for

E ser tudo

Sim, todo amor é sagrado

E o fruto do trabalho

É mais que sagrado, meu amor

A massa que faz o pão

Vale a luz do teu suor

Lembra que o sono é sagrado

E alimenta de horizontes

O tempo acordado de viver

No inverno te proteger

No verão sair pra pescar

No outono te conhecer

Primavera poder gostar

No estio me derreter

Pra na chuva dançar

E andar junto

O destino que se cumpriu

De sentir teu calor

E ser tudo

Tudo

Sim, todo amor é sagrado

Todo amor é sagrado

Sim, todo amor é sagrado

Sim

TRAVESSIA


Quando você foi embora

Fez-se noite em meu viver

Forte eu sou, mas não tem jeito

Hoje eu tenho que chorar

Minha casa não é minha

E nem é meu este lugar

Estou só e não resisto

Muito tenho pra falar

Solto a voz nas estradas

Já não quero parar

Meu caminho é de pedra

Como posso sonhar

Sonho feito de brisa

Vento vem terminar

Vou fechar o meu pranto

Vou querer me matar

Vou seguindo pela vida

Me esquecendo de você

Eu não quero mais a morte

Tenho muito que viver

Vou querer amar de novo

E se não der não vou sofrer

Já não sonho, hoje faço

Com meu braço o meu viver

Solto a voz nas estradas

Já não quero parar

Meu caminho é de pedra

Como posso sonhar

Sonho feito de brisa

Vento vem terminar

Vou fechar o meu pranto

Vou querer me matar

QUE BOM AMIGO

Que bom, amigo

Poder saber outra vez que estás comigo

Dizer com certeza outra vez a palavra amigo

Se bem que isso nunca deixou de ser

Que bom, amigo

Poder dizer o teu nome a toda hora

A toda gente

Sentir que tu sabes

Que estou pro que der contigo

Se bem que isso nunca deixou de ser

Que bom, amigo

Saber que na minha porta

A qualquer hora

Uma daquelas pessoas que a gente espera

Que chega trazendo a vida

Será você

Sem preocupação

NADA SERÁ COMO ANTES


Eu já estou com o pé nessa estrada

Qualquer dia a gente se vê

Sei que nada será como antes

Amanhã

Que notícias me dão dos amigos?

Que notícias me dão de você?

Alvoroço em meu coração

Amanhã ou depois de amanhã

Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Num domingo qualquer, qualquer hora

Ventania em qualquer direção

Sei que nada será como antes

Amanhã

Que notícias me dão dos amigos?

Que notícias me dão de você?

Sei que nada será como está

Amanhã ou depois de amanhã

Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Que notícias me dão dos amigos?

Que notícias me dão de você?

Sei que nada será como está

Amanhã ou depois de amanhã

Resistindo na boca da noite um gosto de sol