POR QUE DIABOS?

Vejam só a vítima das ruas

Uivando suas sílabas pra lua

Que um dia alguém a enforque de uma vez

Por matar friamente o idioma inglês

Isso é o que as pessoas hoje em dia

Chamam de uma educação sadia

Todo mundo fala assim

As escolas são o fim

Os ingleses não têm formação

Você já passou do pré?

Mas é craro sô, qualé!

Eis aí a nossa situação

Todos falam muito mal

Articulam muito mal

Parecem mais um coro de animais

Rãs, galinhas e leitões

Como essa aí

São sons assim que a tornam tão vulgar

Mais que a cara suja e esse olhar

Por que diabos não se fala mais inglês?

Agora tudo é gíria, a língua não tem vez

Ninguém se preocupa mais

Com o som que a palavra tem

E a educação acabou também

A fala traduz o homem

De maneira incontestável

Um simples 'alô' revela

Um personagem insuspeitável

Nós os ingleses já não temos salvação

Mas por que diabos é a...

Pobre língua inglesa perdida, cuspida

Nas terras ao redor

Na Escócia e Irlanda a coisa é bem pior

E em certos países a pobre é cada vez menor

Por que diabos não se fala mais inglês?

Na Grécia falam grego, na China o bom chinês

E até os franceses sabem tudo de impostação

Na Arábia todos falam tudo tão corretamente

Enquanto os hebreus sabem até de trás pra frente

Porém com os ingleses o inglês chegou ao fim

Por que diabos?

Por que diabos é assim?

BÃO DEMAIS

A vida aqui ta ruim

Eu acho que vou pra Pari

A baronesa convidou

Pra festa em Capri

O meu verão eu vou passar

Nas ruas de Madrid

Mas vai ser tão bão demais!

Eu só quero um lugar pra mim

Bem quentinho e só pra mim

Um lugarzinho assim

Meu Deus! Mas era bão demais!

Chocolate pra mim comer

Chá com leite pra mim beber

Carvão pra me aquecer

Meu Deus! Mas era bão demais!

Eu sentada numa almofada de cetim

Que bão!

De repente alguém me diz

Que é hora do meu bombom

E esse alguém vai se aproximar

No meu colo se aconchegar

E vai me agasalhar

Meu Deus! Mas era bão demais!

Bão demais!

Bão demais!

Bão demais!

Bão demais!

Eu só quero um lugar pra mim

Bem quentinho e só pra mim

Um lugarzinho assim

Meu Deus! Mas era bão demais!

Chocolate pra mim comer

Chá com leite pra mim beber

Carvão pra me aquecer

Meu Deus! Mas era bão demais!

Eu sentada numa almofada de cetim

Que bão!

De repente alguém me diz

Que é hora do meu bombom

(Hora do doce!)

E esse alguém vai se aproximar

No meu colo se aconchegar

E vai me agasalhar

Meu Deus! Mas era bão demais!

Bão demais!

Bão demais!

Bão demais!

Meu Deus! Mas era bão demais!

Bão demais!

Bão demais!

Bão demais!

Bão demais!

UM POUQUINHO ASSIM DE SORTE

Deus fez o homem forte pro trabalho

Pra no trabalho o homem se entregar

Deus fez o homem forte pro trabalho, mas

Com um pouquinho assim de sorte

Um pouquinho assim de sorte

Eu jamais terei de trabalhar

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Jamais vou trabalhar

Pra que sofrer pra andar na linha?

Basta um pouquinho assim

De sorte e nada mais

E Deus então criou a mulherada

E entregou ao homem pra casar

E Deus então criou a mulherada, mas

Com um pouquinho assim de sorte

Um pouquinho assim de sorte

E ninguém me leva pro altar

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Um pouquinho só

E eu não vou me casar

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Um pouquinho

E eu não vou me casar

(...)

E Deus então criou a vizinhança

E a vizinhança é sempre tão feliz

E Deus então criou a vizinhança, mas

Com um pouquinho assim de sorte

Um pouquinho assim de sorte

Eu levanto sempre o meu nariz

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Um pouquinho só

E eu torço o meu nariz

O bom vizinho é sempre um chato

Mas com um pouquinho assim de sorte

Eu vou fugir

E Deus castiga o homem que paquera

Que deixa a esposa e sai pra namorar

E Deus castiga o homem que paquera, mas

Com um pouquinho assim de sorte

Um pouquinho assim de sorte

A patroa nunca vai notar

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Pra véia não notar

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Um pouquinho só

Pra me safar!

APARECE UMA MULHER

Sou um homem bem comum

Que deseja tão somente

Ler em paz o seu jornal

Viver a vida simplesmente

Como um homem bem normal

Um homem sem rancor

E sem perturbações

Que quer sobreviver, com prazer

Sempre buscando as melhores sensações

Só um homem bem comum

Mas aparece uma mulher

E tudo pode acontecer

Ela vai me atormentar

Ela vai arrebentar

Com a paz e com o sossego

Ela pode enlouquecer

Aparece uma mulher

E é pior que um vendaval

Faça planos e verá

Que ela sempre estragará

Com seus gostos e vontades

Ela é dona da verdade

No final

Se você quer falar de Shakespeare

Ela só quer falar de amor

Ela só quer dormir juntinho

Mas sempre puxa o cobertor

Quando aparece uma mulher

É um eterno envelhecer

Se outros querem se acabar

Que se atirem no altar

Eu prefiro ir ao dentista

E dispenso anestesista

Mas eu juro que jamais vou me casar

Sou um homem tão feliz

Que aprendeu a ter prazer

Em sua própria solidão

Que nas paredes do seu quarto

Sempre encontra inspiração

E não se espanta mais

E sabe compreender

E adora meditar, contemplar

Perto dos Deuses e longe dos mortais

Só um homem bem feliz

Mas aparece uma mulher

E é pior que um furacão

As amigas vêm atrás

Se esparramam nos sofás

Como gralhas e galinhas

Se espalhando na cozinha e no salão

E a família dela é podre

Os seus sobrinhos marginais

E aquela mãe feroz e gorda

Com seus gritos infernais

Quando aparece uma mulher

Aparece uma mulher

Aparece uma mulher

Ah! Eu juro que jamais vou me casar

UM POUQUINHO ASSIM DE SORTE (REPRISE)

Ele não tem nenhum tostão no bolso

O pobretão mais pobre que encontrei

Ele não tem nenhum tostão no bolso, mas

Com um pouquinho assim de sorte

Um pouquinho assim de sorte

Ele vai vivendo como um rei

Um pouquinho só

Um pouquinho só

E ele vive a vida como um rei

VOCÊ VAI

Você vai, Enry Inggins, você vai

Vai entrar por onde todo mundo sai

Você vai cair da cama

Você vai rolar na lama

Você vai, Enry Inggins, você vai

Você vai, Enry Inggins, vai sofrer

Vai ficar doente quase pra morrer

E vai ter dor de barriga

Você vai pegar lombriga

Você vai, Enry Inggins, você vai

Ooooh Enry Inggins!

Você vai ser atirado aos tubarão

Ooooh Enry Inggins!

Quero ver você no meio dos dentão

E eles vão te mastigar

Você vai se arrebentar

Oh, oh, oh, Enry Inggins

Oh, oh, oh, Enry Inggins

Você vai!

ATRÁS DO TREM

Atrás do trem as tropas vêm trotando

Ela acertou! Ela acertou!

Atrás do trem as tropas vêm trotando

Ela conseguiu! Ela conseguiu!

E as tropas vêm atrás de quem?

Só do trem! Só do trem!

Repete então, meu bem

Do trem! Do trem!

Atrás do trem as tropas vêm trotando

Atrás do trem as tropas vêm trotando

O jarro azul se acha cheio

Junto do jarro rosa

Foi tão gentil me convidar

E as tropas vêm atrás de quem?

Só do trem! Só do trem!

Repete então, meu bem

Do trem! Do trem!

Atrás do trem as tropas vêm trotando

Atrás do trem as tropas vêm trotando

AGORA EU VOU DANÇAR

Oh não! Dormir agora não

Agora tudo quer amanhecer

Sim! Sim! A tudo eu digo sim

Tudo agora pode acontecer

Agora eu vou dançar

E nunca mais parar

E nunca mais sofrer

Agora eu quero mais

Eu vou correndo atrás

Da vida pra viver

Aconteceu

Como se fosse um sonho

E eu já não sei como acordar

Ele tocou em mim

E despertou em mim

Essa vontade de dançar

Já são três horas

Já ta na hora

É hora de dormir

Agora eu vou dançar

(Já é manhã, já é demais)

E nunca mais parar

(Não pode ser, não pode mais)

E nunca mais sofrer

(O sol já vem sim, você também sim

Precisa descansar, não pode mais)

Agora eu quero mais

(Não pode mais rodopiar)

Eu vou correndo atrás

(Não pode mais escorregar)

Da vida pra viver

(Já é manhã sim e ao nosso afã sim

Vamos voltar)

Aconteceu

Como se fosse um sonho

E eu já não sei como acordar

Ele tocou em mim

(Lá vem o sol, já vai surgir)

E despertou em mim

(Vem pro lençol, vamos dormir)

Essa vontade de dançar

Eu compreendo

Foi tudo lindo

Mas é melhor dormir

Agora eu vou dançar

E nunca mais parar

E nunca mais sofrer

Agora eu quero mais

Eu vou correndo atrás

Da vida pra viver

Aconteceu

Como se fosse um sonho

E eu já não sei como acordar

Ele tocou em mim

E despertou em mim

Essa vontade de dançar

ASCOT GAVOTTE

Todo conde e todo duque aqui

Toda dama dando um look aqui

Quem é chic, quem é magnifique

Sempre vem a Ascot desfilar

Lá na pista os cavalos

Esperando a hora de arrancar

Aflitiva tanta expectativa

Quando aquela fita arrebentar

Rostos, lenços

Gestos tensos

Pulsos param

E os corações disparam

Já vai começar

Quem não apostou?

Ai! O sino bate

Um cão que late

Que aflição

Já começou

Que loucura, que corrida

Super concorrida até o fim

Excitante, tão emocionante

Todo ano Ascot é assim

NA RUA ONDE MORA VOCÊ

Ao falar da tia morta e do chapéu

Ela me abotoou

E meu coração voando foi ao céu

Ao saber que o pai depois se embebedou

Mas a mais hilariante sensação

Foi quando ela disse: Dover, mexe esse bun...

(...)

Onde vão meus pés

Eu não sei dizer

Mas deslizam nas calçadas

E eu não sei porquê

Só não sei voltar

Onde quer que eu vá

É a rua onde mora você

As janelas são todas tão iguais

Mas eu lembro que uma delas

Tem você por trás

A cidade diz que eu serei feliz

Só na rua onde mora você

O som de todos os sinos

A dobrar parecem dizer

Que eu sou de novo um menino

Que de repente vai correndo pra você

Os amigos vão perguntar por mim

Vão dizer que estou mudado

Ou qualquer coisa assim

E eu não volto mais

Mas o amor me traz

Para a rua onde mora você

(...)

As janelas são todas tão iguais

Mas eu lembro que uma delas

Tem você por trás

A cidade diz que eu serei feliz

Só na rua onde mora você

VOCÊ VENCEU

Você saiu vencendo

Vencendo, vencendo

Ninguém acreditava

Mas você venceu

Eu bem que duvidava

Jurava, jurava

Você não venceria

Mas você venceu

Merece uma taça

E medalhas de louvor

Não foi nada

Não foi nada

Você foi um grande herói

Lutando com valor

Porém, porém

Não esquecerei, porém

Que o mérito é pra você também

Mas quem saiu vencendo

Vencendo, vencendo

Com a força de um rochedo

Sem fugir e sem ter medo

Não há dúvida que foi você

Meu Deus, mas eu sofri demais

Envelheci um ano ou mais

Nunca passei tamanha provocação

Eu, por mim, acreditei

E nem no fundo eu duvidei

E digo até que nem dei atenção

Vocês nem podem acreditar

Todos no baile a perguntar

Quem dama é essa ai com o professor?

E quando o príncipe Gregor dançou com ela

Eu percebi que havia um vencedor

Você saiu vencendo

Vencendo, vencendo

Aplausos para ela

Pois no fundo a sorte dela

Só nos prova que você venceu

(...)

Aquele canalha que usa o saber

Em causas obscuras e sente prazer

Fazendo chantagens e coisas assim

Farejando a situação

Entre nós aquele cão

De Budapeste

Não largava o nosso pé

Nunca dava marcha a ré

Aquela peste

E eu então achei que era melhor

Deixar o tal se aproximar de nós

E ele a convidou para dançar a sós

Derramando sedução

Gastando seu ar de canastrão

Vários truques ele usou

Pra desbancar o nosso show

E quando a dança chega ao fim

Ele aparece no jardim

Com aquele riso sujo

E aquela voz sem graça

Proclamando a todos

Que ela era uma farsa

E disse que ela fala bem

O que comprova que ela é estrangeira

Um inglês jamais teria a pronúncia

Assim tão límpida e certeira

Com certeza foi aluna de algum grande

Mestre em línguas ou filósofo

Mas inglesa ela não é! É Húngara!

Nós te aclamamos, oh mestre Higgins

Para sempre campeão

Nós te aclamamos, oh mestre Higgins

Parabéns ao nosso bom patrão

Você saiu vencendo

(Nós te aclamamos)

Vencendo, vencendo

(Oh mestre Higgins)

Ninguém acreditava

(Para sempre)

Mas você venceu

(Campeão)

Você saiu vencendo

(Nós te aclamamos)

Vencendo, vencendo

(Oh mestre Higgins)

Os louros da vitória

(Nós dizemos aleluia)

E um lugar na nossa história

Porque só você venceu!

FAÇA!

Se você fala o tempo vira

O mundo gira

Só pra ouvir você

Se você olha tudo brilha

Que maravilha

E eu não sei mais

Blá! Blá! Blá!

Tanto blá blá blá

Pra que tanta palavra

Sem mais nem porque

Eu não consigo entender

Não fale assim

Não fale mais

Se você faz, faça

Faça por mim

Faça por nós

Não gaste a voz, faça

Chega dessa coisa

De falar de coração

Olha eu aqui

Na sua mão

Todo mundo sabe

Que o amor é muito mais

Que o blá blá blá dos casais

Pra que pedir?

Pra que jurar?

Sabe beijar?

Faça! Faça!

Não deixe o amor escorregar

Só dizendo que fará

Faça já

Pra que canção?

Pra que rimar?

Vem me buscar, faça

Eu quero é mais

Mais sensação

Eu quero ação, faça

Chega dessa coisa

De tentar me conquistar

Já conquistou, vem me pegar

Chega de bancar

A mariposa atrás de mim

Que a minha luz ta no fim

Se você quer

Quer me agradar

Vem me agarrar

Faça! Faça!

Pra não sair sem me provar

Só dizendo que fará

Faça já!

VOU ME CASAR DE MANHÃZINHA

Só faltam poucas horas

Pra hora da união

Só poucas horas

Pra tampa do caixão

Vou me casar de manhãzinha

Ding dong, os sinos vão tocar

Eu vou chorando

Vou protestando

Mas me carreguem pro altar

Vou me acabar de manhãzinha

Já não da mais pra me safar

Bye bye queridas

Sem despedidas

Não tem mais jeito, eu vou casar

Eu vou gritando

Mas vou pra lá

Vou me arrastando

Mas eu vou chegar

Vou me casar de manhãzinha

Ding dong, os sinos vão tocar

Sem choradeira

E sem saideira

Me levem pro altar

Lá pro meu altar

Não tem mais jeito, não

Eu vou casar

Vou me casar de manhãzinha

Ding dong, os sinos vão tocar

Vou amarrado

Vou algemado

Mas me carreguem pro altar

Vou me acabar de manhãzinha

Já não da mais pra escapar

Eu fui fisgado

Tô condenado

Não tem mais jeito, vai casar

Numa piscina

Vão me afogar

Na guilhotina

Vão me decepar

Mas vou me casar de manhãzinha

Ding dong, os sinos vão tocar

Eu vou com ânsia

Vou de ambulância

Mas vou pro meu altar

Vou pro meu altar

Não tem mais jeito, não

Eu vou casar

Agora o sol já vem surgindo

Lá vem as cores da manhã

Toda a cidade

Vem de verdade

Dizer adeus

Pra sempre, adeus

Vou me casar de manhãzinha

Ding dong, os sinos vão tocar

Vai grande amigo

Pro último abrigo

Direto pro altar

Logo pro altar

Carreguem ele logo pro altar

HINO AO HOMEM

Eu não compreendo porque foi que ela partiu

Logo nesta noite especial

Que terá passado?

Quem será o culpado?

Não da pra se entender qual foi o mal

Todas as mulheres são assaz irracionais

Titica na cabeça é o que elas têm

E todas são exasperantes, irritantes

Vacilantes, enervantes, desgastantes

Mórbidas e estúpidas também

Por que as mulheres são todas iguais?

Não são como os homens, não são como nós

Os homens são sérios, os homens são bons

Os guardiões da inteligência e da razão

Mas as mulheres, elas não

Quem me diz por que é que todas são assim?

Todas são demais irracionais

Por que sempre imitam suas mães, enfim?

Por que diabos não vão atrás de seus pais?

Por que não tentam ser mais como nós?

O homem é simples, não há confusão

É doce no trato, é sempre um irmão

Você se importa se eu tiver os meus humores?

(Claro que não)

Você se choca se eu saio pra beber?

(Bobagem)

E você chora se eu jamais lhe trago flores?

(Nunca)

Por que não agem igual a você?

(...)

Por que as mulheres são todas iguais?

Não são como os homens, o homem é bom

É bom companheiro, não erra no tom

Sempre disposto a te ajudar numa aflição

Por que diabos elas não?

As mulheres nunca param pra pensar

Nunca raciocinam muito bem

A cabeça delas é pra se pentear

E quanto ao cérebro, será que elas têm?

Por que as mulheres são todas iguais?

Se eu fosse uma delas, seria melhor

Se eu fosse a um baile e fosse a maior

Alguém pensa que eu iria odiar a vida

Como a dona de um cachorro que morreu?

Fugir de casa como foge uma bandida?

Por que as mulheres não são como eu?

SEM VOCÊ

Mas que burra eu fui

Uma burra sem perdão

De pensar que você é o sol

Mas que burra eu fui

Uma burra de plantão

Por acreditar no seu farol

Não, venerável professor

Eu não vou depender do seu favor

Pois o sol vai brilhar sem você

Rouxinol vai cantar sem você

Vai chover no capim

Vai nascer um jardim

Vai crescer tudo assim

Sem você

Cantarão mil canções sem você

Subirão as ações sem você

E as tropas também

Vão atrás de algum trem

Todo mundo vai bem

Sem você

Com prazer

Sem você

Ei você, que é tão feliz

Vai encher seu jarro azul

E o jarro rosa

Pois a vida é melhor sem você

A avenida é maior sem você

Sem você tudo é mais

O que é bom dura mais

Sem você

E sem seus dedos, ficam-se os anéis

Sem seus escritos, ficam-se os papéis

Sem seus brinquedos, o brinquedo é meu

Então se todos brincam, bobo, lá vou eu

Lá vou eu ser feliz sem você

Levantar meu nariz sem você

Me arranjar sem você

Me abraçar sem você

Sem vo...

Mas eu saí vencendo

Vencendo, vencendo

Eu disse que faria

E de fato eu fiz

Eu fiz uma pessoa

Pessoa, pessoa

Essa mulher é minha

Pois fui eu que fiz

ME ACOSTUMEI COM O ROSTO DELA

Diabos! Diabos! Diabos! Diabos!

Me acostumei com o rosto dela

Eu não consigo me livrar

Daqueles olhos sobre mim

Não largam mais de mim

Seus ais, seu tom

A voz, o som

É como um braço que eu perdi

Mas que não para de doer

E eu era tão independente

De repente aconteceu

Ela foi entrando em cada canto que era meu

Como uma doce maldição

Sem ela se tornou amargo meu viver

Posso até prever

Casalzinho Eynsford-Hill

Alugando o seu quartinho num porão

(...)

Posso até prever

O amor correndo a mil

E um cobrador batendo no portão

Pois não se vive só de amores

E eu vou pagar para assistir

Enquanto a tola vende flores

O marido pensa só em dormir

Em um ano ou dois

Ela já envelheceu

E as olheiras lhe tomaram as feições

Em um ano ou dois

Ele já se arrependeu

E fugiu com alguma herdeira de milhões

Pobre Eliza

Quanta tristeza

Quanta desventura

Que beleza

(...)

Mas eu sou um homem muito bom

De grande coração, um cristão

Destes que sabe esquecer e perdoar

Só um homem muito bom

Mas eu jamais perdoarei

Nem que ela implore compaixão

Ela pode ajoelhar

Ela pode espernear

Ela há de congelar no meu portão

- Casar com Freddy! Há!

Mas eu não sei como apagar

A voz a soletrar

Atrás, o trem

E mais, além

É como um gesto que aprendi

Que não cansa de voltar

Ela não passa de uma fêmea

Tão somente uma mulher

Ela é só um hábito

Que eu tenho que perder

Mas o seu rosto sempre aqui

Como uma maldição

Não há como esquecer