MAMÃE, ME EXPLICA


Mama, me explica

Mama, me ensina

Se quem me deu a luz

Deu a escuridão

Mama, um anjo

Mama, um dia

Desceu das nuvens

E entrou em mim

Me diz se eu também

Quando for meu tempo

Terei meu anjo

Que Deus vai mandar

Diz se enquanto eu rezo

Um anjo vai crescendo

Até saltar de dentro

E me abraçar

Mama, me explica

Mama, me ensina

Se quem me deu a luz

Deu a escuridão

Mama, um anjo

Mama, um dia

Desceu das nuvens

E entrou em mim

MAMÃE, ME EXPLICA (REPRISE)


Mama, me explica

Mama, me ensina

Mama me deu à luz

Deu a escuridão

Mama, me explica

Mama, me ensina

Se quem me deu a luz

Deu a escuridão

Mama, um anjo

Mama, um dia

Desceu das nuvens

E entrou em mim

Me diz se eu também

Quando for meu tempo

Terei meu anjo

Que Deus vai mandar

Diz se enquanto eu rezo

Um anjo vai crescendo

Até saltar de dentro

E me abraçar

Mama, me explica

Mama, me ensina

Se quem me deu a luz

Deu a escuridão

Mama, um anjo

Mama, um dia

Desceu das nuvens

E entrou em mim

TUDO QUE É SAGRADO


Aprender

Tudo que é sagrado

E entender

Que nada tem dois lados

Perguntas

São tantas as perguntas

E todas as respostas são

Que tudo estava errado

Tudo é só

O que já foi escrito

Só é bom

O que já foi bendito

E quem pensa

Já sabe que é suspeito

Pois tudo que interessa

Está na Bíblia sobre o peito

Mas eu sei

Que há muito mais além

Quando eu olho mais pra mim

Do que pro céu

Sim, eu sei

Que lá no fundo tem

Uma luz que ninguém mais viu

Lá vou eu

Errando e aprendendo

O que eu não sei

Não sinto e não entendo

Eu grito

E escuto tantas vozes

Não posso mais olhar pra mim

E ver o que eu não sou

Eu peço, só peço

Não calem

O que eu não sei gritar

Eu peço, só peço

Não calem

Não calem

O que eu não sei gritar

Iram

Multa quoque et bello

Passus, dum conderet

Urbem

NESSA MERDA DE VIDA


Eu sonhei que havia um anjo

Que me ouvia sussurrar

Os meus gritos em silêncio

E tentava me acalmar

Me piscava um olho torto

Como quem quer me ajudar

Sentava no meu ombro

E vinha me ensinar

E tocava meus dedos

E guiava a minha mão

Deslizando em toda parte

Provocando uma explosão

De repente tudo branco

Se espalhava pelo chão

E o meu anjo sorridente

Me abandona e fico então

Nessa merda de vida

(Merda de vida)

Só eu e minha mão

(Minha mão… Yeah!)

Nessa merda de vida

Estreita relação

Toda noite eu lembro dela

Com aquele seu peitão

Sempre ao lado do piano

Corrigindo a minha mão

Professora, quantas notas

Eu preciso martelar

Pra morder os seus melões

E nunca mais soltar

Nessa merda de vida

E tudo só faz mal

(Tudo só faz mal)

Minha mão, minha vida

Somos um casal!

Minha mão comigo

Somos um

No chuveiro do colégio

Tem um cara que eu olhei

Como é sujo e como é lindo

Eu detesto o que eu pensei

Mariana que eu queria

Mas que nunca disse sim

E as bundas fazem fila

São todas só pra mim

Nessa merda de vida

(Nessa merda de vida)

Não há como escapar

(Escapar)

Nessa merda de vida

Só eu pra me esfregar

Nessa merda de vida

(Eu peço, só peço)

Ninguém vai segurar

(Não calem o que eu não...)

Nessa merda de vida

Na hora em que eu saltar

(Sei gritar)

Essa merda de vida, vida, vida

Se alguém ficou pra trás

Nessa merda de vida

É isso e não tem mais

E não tem mais

E quem quer mais

Só vai se foder

MEU VÍCIO


Minha vida é sem graça

Meu dia, sem sol

Mas você passa

E acende um farol

Eu quase te amo

Pobre infeliz

Pobre de mim

Que não posso o que eu quis

Será que eu sou tua?

Será que eu sonhei?

A vida passando

E só eu que parei

Eu tento e eu finjo

E não dá pra escapar

Meu vício é você

E não vai passar

E eu vou pra chuva

Atrás de você

Na neve eu achei

Que o calor é você

Meu rumo eu não sei

Nem meu lugar

Meu vício é você

E não vai passar

E você me machuca

Maltrata outra vez

E eu tremo por dentro

E eu gosto é assim

Nós dois no meu quarto

E eu vou te mostrar

Vou te ensinar

Cada parte de mim

(Deitada)

Deitada na grama

(Grama)

Meu sonho é feliz

(Feliz)

Nós dois como um par

(Um par)

Um casal como eu quis

(Como eu quis)

Não como e não bebo

Não sei mais brincar

(Meu vício é você)

Meu vício é você

(Yeah, yeah)

E não vai passar

(Yeah, yeah, yeah)

Em qualquer janela

Eu vejo você

(Vejo você)

De toda aflição

Quem me salva é você

Você me encontrou

(Me encontrou)

Vai me levar

(Mas não vai passar, passar)

Meu vício é você

E não vai passar

(Não vai passar)

Meu tempo parou

Pra te esperar

(Meu vício é você)

Meu vício é você

E não vai passar

Não vai passar

Não, não, não!

VENHA


Lá vou eu como um barco

Sem um rumo e sem farol

Quantos mares eu verei

E quantas luas rubras

Depois do sol

Lá vou eu como um barco

Sem estrelas, sem farol

Quantos rostos eu verei

Em tantas luas cheias

Depois do sol

Venha me tocar

Onde eu gosto, eu te peço

E eu quero mais, e de novo

E outra vez, eu te imploro

(...)

Lá vou eu como um barco

Eu encontro o meu farol

Quantas noites com você

E nossas luas juntos

Depois do sol

(Lá vou eu)

Lá vou eu como um barco

Que já sabe o seu farol

(Oh não oh não, não)

Nos seus olhos eu achei

As luas que eu sonhava

Depois do sol

Venha (Venha)

Silêncio (Silêncio)

Vem e me fala… Diz pra mim

Nada é pecado, vem!

Desperta em mim

Acorda em mim

O que e só meu

(Lá vou eu, lá vou eu)

E eu te entrego

Venha

Me ensina

Como eu gosto

Como eu quero

E eu quero mais

Eu faço mais

E só nós dois

E o pecado

Venha me tocar

E mais ali

Que é pecado

Venha, e mais além

E bem aqui

Onde eu gosto

Onde eu gosto

Onde eu gosto

Onde eu gosto

O CORPO QUER FALAR


Parece um sonho, eu sei

Brotam palavras que eu nem quis

Fisgar alguém com hipóteses

O corpo quer falar

É só ouvir

Quisera não sentir

Os dedos vão desfazendo o nó

Aproximar as antíteses

O peito quer gritar

É só ouvir

Eu serei teu espinho

Tu serás a minha cruz

Eu serei teu sangue

Tu, a minha cicatriz

Parece um sonho, eu sei

Ele aqui nos braços meus

Ela é real entre as dúvidas

Os dois dizendo sim

É só ouvir

Eu serei teu espinho

Tu serás a minha cruz

Eu serei teu sangue

Tu, a minha cicatriz

UM ESCURO SEM FIM


Lá no fundo de mim

É um escuro sem fim

Na hora em que eu vou dormir

Minha mãe sorri

Será que ela não sabe?

Será que ela não sabe?

Lá vou eu

Se eu pudesse, não

Se eu dissesse não

E então você chega

E então você chega

E me pede um beijo

E boa-noite, amor

E me abraça e me sussurra

Sob o cobertor:

“Somos só nós dois

Nós e um segredo”

Ah, você me ensina

Como é bom, amor

E então você me diz

Sem nenhum pudor:

“Somos só nós dois

Nós e um segredo”

E eu sei que é errado, eu sei

Mas eu não gritei

Eu deitada ali

Deitada ali

Eu quero ser forte

Eu vou pra rua espalhar

Que você me ensinou

Como eu sou linda

Sim, eu sou linda

E me pede um beijo

E boa-noite, amor

E me abraça e me sussurra

Sob o cobertor:

“Somos só nós dois

Nós e um segredo”

Ah, você me ensina

Como é bom, amor

E então você me diz

Sem nenhum pudor:

“Somos só nós dois

Nós e um segredo”

Lá no fundo de mim

É um escuro sem fim

Lá no fundo de mim

É um escuro sem fim

Lá no fundo de mim

É um escuro sem fim

Lá no fundo de mim

É um escuro sem fim

A CARTA


Ah-há… ah-há… ah-há, tá bom

Já que não pode, então tá bom

Eu já perdi, eu já dancei

Já passou da hora e eu fiquei

(...)

É muito pouco o que eu pedi

Eu quero é só sumir daqui

E olha só, não faz assim

Não fala mais

Me empresta e então ok

(...)

Você me olha e não me vê

Você pergunta então por quê

E quanto mais pergunta, eu menos sei

(...)

Ok, o jogo é pra jogar

Eu vou fingir e acreditar

Você me diz, eu já sei

Tudo é só pro bem

(...)

Escreve aos pais

E diz então

Que o filho entrou na contramão

E não tem mais volta

Não tem mais

E diz assim, que ele fugiu

Num navio que explodiu

Ninguém mais ouviu falar

Não mais

Não mais, não mais

(...)

Ah–há… ah-há… ah-há, tá bom

Já que não pode, então tá bom

Eu já perdi, eu já dancei

Mas nada vai mudar

Eu sei que não

Você me olha e não me vê

Você pergunta então por quê

E todas as respostas

E eu não sei

Não tem ninguém pior que eu

Ninguém falhou, ninguém perdeu

Não tem mais portas

Todas eu fechei

(...)

Tá bom agora então já deu

A vida corre mais que eu

O que eu achava que era meu

Eu já não tenho mais

Já não tenho mais

Já não tenho mais

Já não tenho mais

NO FUNDO DO BREU


Apague a luz

E tudo se desfaz

Vai sumir seu horror

Sua dor já não dói

E todas as marcas

Que a luz só atrai

Se o dia inventou

A noite destrói

Mas não dá pra fugir

Lá no fundo do breu

O homem que eu sou

É criança e cresceu

Tem alguém sempre ali

O fantasma é meu

Trancado eu estou

E a jaula sou eu

E o medo também

Já vai
 se espremer

Nas frestas de luz

Ele há de escorrer

E então você fica sozinho

E em paz

Sem medo e sem dor

Todo mundo é capaz

Mas não dá pra fugir

Lá do fundo do breu

É frio e sem cor

A criança cresceu

Só eu enxerguei

Só eu conheci

Ninguém sabe ver

O que em mim só eu vi

ACREDITO


Acredito

Acredito

Acredito

Eu acredito

Que não é pecado

Acredito

Acredito

Acredito

Eu acredito

Que não é pecado

Acredito

Acredito

Acredito

Eu acredito

No amor sagrado

Acredito

Acredito

Acredito

Eu acredito

No amor sagrado

Acredito

Acredito

Acredito

Eu acredito

Que não é pecado

Acredito

Acredito

Acredito

Eu acredito

No amor sagrado

Que não é pecado

No amor sagrado

Que não é pecado

(Acredito)

No amor sagrado

(Acredito)

Que não é pecado

(Acredito)

No amor sagrado

(Acredito)

Que não é pecado

(Acredito)

No amor sagrado

(Acredito)

Que não é pecado

(Acredito)

No amor sagrado

(Acredito)

Que não é pecado

Paz e alegria

(Acredito)

(No amor sagrado)

(Acredito)

(Que não é pecado)

Harmonia e glória

(Acredito)

(No amor sagrado)

(Acredito)

(Que não é pecado)

Paz e alegria

Harmonia e glória

Eu acredito!

O CORPO É O CULPADO


Começou de um jeito

Doce e feliz

Essa caixinha onde a gente guardou

O que a gente sempre quis

(Alguém decifra um sonho?)

Vem me acordar pra sofrer outra vez

(Alguém decifra a gente?)

A gente insiste no sonho

E agora o corpo é o culpado, sim

Porque
 não deixa esquecer

E depois, 
só nós dois

Dois que agora estão no chão

Murmuram por um quase perdão

Coração dispara

Sem compreender

Toda janela reflete o seu olhar

E tudo agora é você

(Alguém decifra um sonho?)

Vem me acordar pra morrer outra vez

(Alguém decifra a gente?)

A gente é feito de sonho

E agora o corpo é o culpado, sim

Porque
 não deixa escapar

Não passou, não sumiu

E ainda as mãos sobre as mãos

Imploram por um quase perdão

E agora o corpo é o culpado, sim

Porque não deixa esquecer

E depois, só nós dois

Dois que agora estão no chão

Murmuram por um quase perdão

E agora o corpo é o culpado, sim

NÃO TEM TRISTEZA


Eu serei igual a borboleta azul

Tão leve contra o vento

E sem um norte ou sul

Nada dentro, nada forte e nada mau

A vida é feita só de luz

E nada vai mudar

Ou talvez eu serei o vento de um verão

Que passa sobre as coisas sem qualquer razão

Sem nenhum desgosto, sem desastres, sem direção

Eu sopro
 sem pedir perdão

Lá vou eu

Não tem tristeza

Pra mim não existe mais

Já nem sei onde é que dói

Já não me machuca mais

Não tem tristeza

Já passou pra mim

Já provei e abusei

Eu me lambuzei

Não tem tristeza

Eu gastei

Da tristeza eu passei

VENTO TRISTE


Primavera, quanto tempo faz?

Tanto tempo atrás

Tantas as manhãs, sim

Quando o sol brilhou

Sobre os livros soltos no chão

Primavera

Mas nos outonos

Um vento triste

Nunca desiste

Do nosso rosto

Nos invade com seus dedos

Frios assim, sem perdão

Primavera, quanto tempo faz?

Tanto tempo em nós

Tantas as manhãs, sim

Quando o sol brilhou

Entre as nuvens gordas no céu

Primavera

NÃO TEM TRISTEZA E VENTO TRISTE


Ou talvez eu serei as cordas de um varal

Roupas sobre mim e eu ali no sol

Toda tarde eu ali

Não importa o que eu sei

Não sei

E quando a noite vem

É só a lua e eu

(Lá vou eu)

Primavera

(Não tem tristeza)

Quanto tempo faz?

(Pra mim, não existe mais)

Tanto tempo atrás

(Já nem sei onde é que dói)

Tantas as manhãs, sim

Quando o sol brilhou

(Já não me machuca mais)

Primavera

(Não tem tristeza)

Quanto tempo faz?

(Já passou pra mim)

Tanto tempo em nós

(Já provei e abusei)

Tantas as manhãs, sim

(Eu me lambuzei)

Quando o sol brilhou

(Não tem tristeza)

Sobre as folhas secas no chão

(Eu gastei, da tristeza)

Primavera

(Eu passei)

O QUE FICOU PRA TRÁS


Você agora enquanto pai

Ajeita aquela flor

Um afago talvez

No rosto sem cor

Agora que ele já fechou

Os olhos pra você

Que você notou

E parou pra ver

Mas já passou e já passou

Como a sombra que sumiu

Atrás do muro

Tudo o que ele quis

Ficou pra trás

Tudo que a mãe sonhou

Não sonha mais

E o que o pai não fez

Porque só guardou

As frases sem falar

A festa que você não fez

Já não há mais planos

Não pra vocês

Com todas as pistas

Você não descobriu

Era sangue seu

E você não sentiu

Mas já passou e já passou

Como a sombra que sumiu

Atrás do muro

Tudo o que ele quis

Ficou pra trás

Tudo que a mãe cerziu

Não serve mais

O que o pai não fez

Não conta mais

Tudo o que era seu

Ficou pra trás

Todos os fantasmas

Que ele foi atrás

E jamais venceu

Não vence mais

Mas já passou e já passou

Como a sombra que sumiu

Atrás do muro

E agora já ficou

Ficou pra trás

Ele já ficou

Ficou pra trás

Ele já ficou

Ficou pra trás

SE FODEU


Não dá mais pra negar:
 fodeu!

Mais um passo e já apodreceu

Fim da linha já, você dançou

Apagou a luz, é o fim do show

E o que faz você se arrepiar

É que essa merda ainda vai cheirar

E você pergunta: “hey, que é que eu fiz”?

Você é um cão que os caras gostam de chutar

Se fodeu
 e não tem mais fim

Não tem mais jeito, já perdeu

Vai errar se falar demais

Vai falar, ahã, fodeu!

Se fodeu rapaz e não tem perdão

E não tem mais porta pra fugir

Já se fodeu e eles vão tentar

Te esfolar e te cuspir

Blá blá blá blá blá blá blá

Blá blá blá blá blá blá blá

Você quer sumir e não voltar

Você quer mentir e você vai jurar

E eles vão pegar e vão torcer

Se você negar, eles vão saber

Se fodeu rapaz e não tem perdão

E não tem mais porta pra fugir

Já se fodeu e eles vão tentar

Te esfolar e te cuspir

Se fodeu rapaz e não tem perdão

E não tem mais porta pra fugir

Já se fodeu e eles vão tentar

Te esfolar e te cuspir

Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

Vai se foder!

O CORPO QUER FALAR (REPRISE)


O mel está em mim

Eu sou o néctar no jardim

Vem descobrir entre os lábios meus

Seu corpo quer provar

É só sentir

Eu serei teu espinho

Tu serás a minha cruz

Eu serei teu sangue

Tu, a minha cicatriz

(...)

Eu serei teu espinho

Tu serás a minha cruz

Eu serei teu sangue

Tu, a minha cicatriz

Tu serás meu espinho

Eu serei a tua cruz

Eu serei teu sangue

Tu, a minha cicatriz

MURMURAR


Murmurar

A canção sob a lua

São fantasmas a cantar

Como dói seu horror

Escutar

Quem vem lá?

São as almas

E os seus braços

São tão frios

Tudo é cinza

Não há luz

Eis o pai curvado em dor

A mãe engole o pranto

Olhos turvos

E os vizinhos curvos

Tentando ouvir nos cantos

Eis então

O que fez a mocinha

Estragou todos os planos

Foi assim

Foi o fim

Foi então

Que quebrou o que tinha

Lua cheia sobre os campos

Avisando que era o fim

Tive um grande amor pra mim

Colado sobre a pele

E lá dentro

Eu guardei lá dentro

Um gosto eterno dele

Vem ouvir

Coração já batendo

Outra vida vem soprando

Murmurando, vem

Entre nós

VELHOS CONHECIDOS


Eis aqui
 seus velhos conhecidos

Com você, eternamente unidos

Sem eles,
o mundo é todo errado

Então você acorda e vê

Que estão bem do seu lado

Por você, alguém saiu ferido

Esse alguém 
murmura em seu ouvido

Que perdoa
 e mesmo sendo escuro

Aquilo que você manchou resiste ainda puro

E você,
 que tudo já perdeu

(Quando o vento é frio)

Caminha agora só
 e sem ninguém

(E o peito
vazio)

Mas você
 agora compreendeu

(Tem alguém bem perto
 te vendo)

Que bem dentro eles vem
 juntos

(Ainda)

Eis aqui
 seus velhos conhecidos

Com você, colados e cerzidos

São eles
em todas as esquinas

E então caminham com você

E as sombras vão se abrindo

Eis aqui
o que ficou sozinho

A ouvir as vozes no caminho

E um sopro
 da velha primavera

Avisa que o verão já vem

E os ventos vão mudar

Me chamam
e falam

(Quando o vento é frio)

É noite, 
mas eu devo seguir

(E o peito
vazio)

(Acredito)

Eu peço
, só peço

(E você não está 
mais só)

Não calem, não parem

(Ainda)

E comigo eles vem, pela noite vem

Ao meu lado e não vão escapar

É com eles que eu vou pra qualquer lugar

E por eles eu vou mais além

Comigo eles vão

(Aqui)

São parte de mim

(Aqui)

Ainda estão aqui

(Aqui)

Aqui, aqui

Bem dentro de mim

E nunca vão sair

(Aqui)

E nunca vão sair

(Aqui)

E nunca vão sair

(Aqui)

Eu peço, só peço

Não calem, não parem

Um dia eu vou gritar

CANÇÃO DE UM VERÃO


No coração da criança cresceu

Uma canção em tom maior

Que todos hão de ouvir também

E vão saber de cor

Que a dor se foi e a treva passou

Foram partes de um mundo infeliz

Como peças que um velho teatro encenou

E agora o tempo nos diz

Que vai brilhar um novo sol

E um verão vermelho

Vai tomar nosso quintal

A nova luz já vai chegar

E os olhos das crianças

Vão se abrir e acreditar

E vão viver por nós

E vão soltar os nós

E vão cantar

Em todas as manhãs, vão rezar

Por um eterno e novo verão vermelho

O que era dor

Ficou lá atrás

Na nossa primavera

Que já não volta mais

Janelas vão

(Janelas vão)

Se escancarar

(Se escancarar)

E vai entrar a chuva

E as crianças vão dançar

E vão viver por nós

E vão soltar os nós

E vão cantar

Em todas as manhãs, vão rezar

Por um eterno e novo

Vão pedir por um verão vermelho

Um eterno e novo

Vão pedir por um verão vermelho

Um eterno e novo

Verão Vermelho