PRÓLOGO

Que relíquia

Pois, sim

Tudo igual ao que

Ela descreveu

Falava muito sobre ti

Do teu veludo

Estás aqui

Por certo vais sobreviver

À todos nós

HANNIBAL

Troféu

Dos guerreiros

Dos guerreiros

Que vem de Roma

Para nós

Pão, dança e vinho e canção

Agora celebramos

Saudamos a brava nação

E a salvação cantamos

Trombetas ferozes no ar

Tremei, romanos todos

Ao som do nosso marchar

Pois já vem

Hannibal vem

Triste é voltar e ver a terra mãe

Sob o poder de Roma

E seu terror

Iremos amanhã nos confrontar

Mas hoje, então

Descansem pra

Lutar

Entrai, elefantes, entrai

Bem-vindos nessa terra

Amigos de Hannibal, pisai

Com paixão

Sobre este chão

Aos braços meus mais uma vez

O meu amor retorna

Meus braços nos teus outra vez

Meu coração se entrega

Ao som da manada marchar

Tremei, então, romanos

Nada consegue escapar

Pois já vem

Hannibal vem

PENSA EM MIM

Pensa em mim

Bem lá no fundo

Ao dizer adeus

E vem pra mim

De vez em quando

Entre os sonhos teus

Vai passar

O tempo vai passar

Mas eu espero mesmo assim

Que ao parar

Por um momento

Vais pensar em mim

Sim eu sei

Que tudo isso eu sei

Um dia vai chegar ao fim

Mas até o fim eu peço

Pensa um pouco em mim

Pensa em tudo que já floresceu

E esquece o que apagou, morreu

Pensa em mim

No meu silencio

Minha solidão

Não sai de mim

O teu calor

Me queima o coração

Diz pra mim

Que vai pensar em mim

A toda hora, aqui e ali

Pois não vai haver um dia

Que eu não pense em ti

Mas será?

Pode ser Christine?

Brava!

Bem lá atrás

Há tanto tempo atrás

Nós dois tão puros bem ali

Ela pode não lembrar

Mas eu não esqueci

Toda flor

No tempo perde a cor

E nós também somos assim

Mas promete só

Que as vezes

Vais pensar

Em mim

ANJO DA MÚSICA

Bravi

Bravi

Bravissimi

Christine

Christine

Christine

Diz-me por que é

Que te escondias

Fostes de um tal brilho

Diz-me qual é

O teu segredo

Quem é o teu mestre?

Meu pai falava de um anjo

E nos meus sonhos eu vi

Hoje ao cantar eu entendo

Que ele está aqui

E ele me chama tão suave

De algum lugar, dentro

Sempre comigo

Eu sei, eu sinto

Sei ele que vem, gênio

Teu rosto eu vi das coxias

Por entre a grande ovação

É tua voz no escuro

E as palavras, não

Anjo da música, és meu guia

Dá-me do teu brilho

(Ele é o anjo, o …)

Anjo da música, és mistério

Onde estarás, anjo?

Sei que estás aqui

(Que frias mãos)

Sempre em volta

(Teu rosto não tem cor)

Assusta-me

(Não te assuste…)

O ESPELHO / O FANTASMA DA ÓPERA / MINHA MÚSICA

Bravo rapaz

Mas que insolente

Jura que vai longe

Tolo infeliz, atrás da glória

Glória que é só minha

Anjo, é você

Estou te ouvindo

És minha luz, fica

Peço perdão

Minh’alma é fraca

Só tu és meu mestre

Eis que é chegado o momento

De compreenderes quem sou

Olha teu rosto no espelho

Eu ali não estou

Anjo da música

És meu guia

Dá-me tua mão, glória

Anjo, de mim

Não mais te escondas

Vem que aqui estou, anjo

Eu sou teu anjo

Vem encontrar o teu anjo

Por entre os sonhos meus

Sempre a cantar

Aquela voz dos breus

A convidar

Será que o sonho, então

Não tem mais fim?

O Fantasma da Ópera está

Dentro de mim

Cantemos outra vez

Em uma voz

Em meu poder estás

Estreitos nós

Vais olhar pra trás

Mas mesmo ali

O Fantasma da Ópera está

Dentro de ti

Quem viu teu rosto, então

Só fez fugir

Sou tua máscara

Quem vai me ouvir?

Minha alma e minha voz

Num corpo, assim

O Fantasma da Ópera está

Dentro de ti

O Fantasma da Ópera

Surgiu, o Fantasma da Ópera

Em teus delírios, tu

Me viste ali

Mistério e carne estão

Os dois em ti

E a escuridão só faz

Mostrar que sim

O Fantasma da Ópera está

Dentro de ti

Canta para mim

Meu anjo da música!

Em mim

O Fantasma da Ópera

(...)

Eu te trouxe

Para o trono da inspiração

Para o templo onde a música

É musa e deusa

Deusa

Estás aqui

Por um simples propósito

Desde o dia em que ouvi tua voz

Compreendi

Que preciso do som dessa voz

Pela música

Minha música

MÚSICA DA ESCURIDÃO

Cai a noite

Abre o pensamento

Vem no escuro

Forte o sentimento

Todos os sentidos

Entregam-se, rendidos

Calma, doce

Noite vem descendo

Sente, ouve

Como vai crescendo

Vira o rosto em paz

Deixa o sol ficar atrás

Vira as costas

Para a fria luz e então

A música virá da escuridão

E de olhos fechados

Deixa entrar o som

Faz de conta

Que a vida não valeu

Deixa a alma subir

Até o céu

E terás muito além

Do que era teu

Calma, lenta

A canção te invade

Chega, entra

Já não tens vontade

Abre os teus umbrais

E as secretas espirais

Fantasias

Transbordando o coração

Com a música

Que vem da escuridão

Deixa o som te levar

A um mundo novo e teu

Onde nada é igual

Ao que passou

Deixa a alma inventar

Esse jardim

Onde, então

Pertencerás a mim

Leve, solta

Estás embriagada

Toca, sente

Eis a nova estrada

Deixa-te levar

Pela sombra em teu olhar

Ao poder da minha

Cálida canção

Com a música

Que vem da escuridão

Tu serás

A minha inspiração

Música

Que vem

Da escuridão

EU ME LEMBRO / BEM PIOR QUE OS SONHOS

Eu me lembro do vapor

Gotas finas

Sobre um lago qualquer

Muitas velas ao redor

E um barquinho à navegar

E no barquinho havia alguém

Quem era o ser

Entre as sombras?

Quem sob a mascara está?

Diabos!

Maldita jovem Pandora

Mulher demônio

Eis o que tu queres olhar

Como ousas?

Maldita, sonsa, Dalila!

Pequeno monstro

Já não posso mais te soltar

Diabos!

Como ousas?

Bem pior que os sonhos

Tens coragem de encarar

Ou de pensar em mim

Que nos infernos

Queimando estou

Mas ávido pela luz

E ávido, ávido, mas

Christine

Eis que o medo

Torna-se amor

E hás de ver

Atrás do monstro, enfim

Além da besta

Existe alguém

Que é ávido por beleza

Ávido, ávido

Christine

CARTAS

Diz aqui ‘um mistério atróz’

E diz ‘A soprano perdeu a voz’

Diz que foi grande confusão

Policial diz até

Que é uma enganação

Trauma de soprano, assim

Foi Carlotta, vai Christine

Mas, porém, vendemos bem

O boato é bom também

Sai a diva pela porta

Da janela uma outra vem

Não tem tu, entra tu

Pra não dar chabu

Ópera

Nem Verdi, nem Puccini

O que define

O sucesso é nhé-nhé-nhé

Trágico

Onde vai parar?

Mas é trágico

Mas pra quê gritar?

Isso é ótimo

Para divulgar

Isso é ótimo

Mas quem vai cantar?

Mas olha a fila que formou

E olha só o que chegou

André, que noite deslumbrante

Christine é mesmo a sensação

La Carlotta saiu e ninguém sentiu

Mas, porém

O coro veio entrando

E o balé naquela grande confusão

Amigo, apenas um lembrete

Que o meu salário atrasou

É favor enviar

E sem mais tardar

F.O.

Quero o que me deve

Sem conversa

Quero breve e acabou

Quem diabos manda isso?

Só um cérebro infantil

F.O. assinou

E assim chegou

F.O.

Piada de fantasma

Que mal gosto, é um acinte

É um doente, quer dinheiro

Faroleiro, chantagista

Tá na vista

Que não passa de trapaça

De um demente, um imbecil

E ela?

Mas, quem, Carlotta?

Eu digo Christine, e ela?

Nós não sabemos

E esta nota?

Suponho que partiu de vocês

Não faz sentido

Nós nunca

Não fomos nós

Não sabem dela?

Por certo

Sabemos, não

Mas não briguemos

Esta carta foram vocês?

E o que diz aí

Em bom português?

Francês

‘Não temei por Christine

O Anjo da Música

A tem sob a asa

E nem tentai tocá-la outra vez’

Bem, mas se não foram vocês

Então quem foi?

Ele

Você voltou?

O seu patrono é ele

Mas o que foi?

Veja essa carta

Que é cheia

De ofensas a mim

É tua carta?

Mas nunca

Mas ele não

Tu não mandaste?

Mas nunca

Mas o que foi?

Então sustentas

Que a carta não partira de ti?

E o que é que diz

A carta por mim?

‘Teus dias

Na Ópera popular são poucos

Christine Daaé

Canta em teu lugar à noite

Se tentares impedi-la

A maldição te encontrará

Muita carta pro meu gosto

E todas falam de Christine

Ela aqui, ela lá

Ela o que é que há?

Miss Daaé já voltou

Pois então

Nosso encontro terminou

Mas agora onde ele está?

Achei melhor se recolher

E descansar

Posso vê-la?

Não, monsier

Ela não vê ninguém

Ela vai, vai cantar

E uma carta mais

Deixa vê-la!

Por favor!

(...)

Christine Daeé retornou a vós

E a carreira agora deve ascender

Nessa nova opera; Il Muto

Vamos ter vossa Carlotta no garoto

Mas a Condessa só Christine vai fazer

Condessa é o papel

Que exige mais graça e paixão

Enquanto o garoto é mudo

Pois eis o elenco ideal

Pois não

(...)

Christine

Christine

PRIMA DONNA

O povo pede

Pedimos nós

Mas não preferem

Vossa gata tão ingênua?

Senhora, não

Pra nós, só tu

Prima Donna

Percebe a multidão

Aos pés de ti, em frenezí

Que te implora

Por um olhar

Uma vênia qualquer

Eis que o povo, então, te adora

Prima Donna

Encanta uma outra vez

No quarteirão

As filas vão só crescendo

Todos no afã

Da paixão de escutar

A Prima Donna cantar

(Christine fala de um anjo)

Prima Donna

Retorna ao teu lugar

Ao pedestal

Aos pés do qual

Te idolatram

Ouve o clamor

Do teu povo a pedir

Loucos como cães

Que ladram

Prima Donna

Eterna emoção

E no final

Fenomenal teu aplauso

Todos de pé

Prá melhor desfrutar

A Prima Donna a cantar

(É preciso)

Parar este insano

Com patrocinador

Artista e o patrão

Arderam de paixão

Mas ele vai negar

E ela vai chorar

Parece um dramalhão

Com tanta enrolação

Porém se alguém cantar

Em língua de além mar

É o tipo da ideia

Que atria plateia

Eis então a ópera

Eis então a ópera

A ópera

Prima Donna

O mundo aos vossos pés

Toda nação

De coração

Vos aguarda

Luz sobre o palco

Que a voz vai brilhar

A Prima Donna canta

Canta!

TOLO, FAZ-ME RIR

Pois eis que milady

Tem alguém no coração

Porém se o patrão sonhar

Vai ser difícil controlar

Será preciso ter juízo

Mal-di-ção

O fogo eterno do inferno

Mal-di-ção

Mas quem há de ser?

Nobre esposa

Aqui é teu marido

Meu bem

Devo estar ausente

Por um tempo ou mais

E com a nova criada estarás

Suspeito

Que a sonsa não é fiel

Não vou partir

Mas irei me esconder

E observar

Adio

Serafimo

É só representar

És mudo, sim

Mas podes

Em segredo beijar

Ah, tolo, faz-me rir

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha-Ha

Tudo que eu desejo

Eu sei, vou conseguir

Ah, tolo, que não ve

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha-Ha

Mas se ele soubesse

O que há de acontecer?

(...)

Serafimo

É só representar

És mudo sim

Mas podes em segredo

Cantar

Ah, como faz-me rir

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha

Ah-Ha-Ha-Ha-Ha-Ha

POR QUE VIESTE AQUI? / EU SEI, EU VI

Porque vieste aqui?

Eu lá não volto

Melhor voltar

Ele vai

Atrás de mim, eu sei

(Christine, eu peço)

Aquele olhar

(Não pensa nisso)

Que queima sem perdão

Não vai poupar

(Foi só um sonho, meu bem)

O Fantasma da Ópera, eu sei

(Fantasma não existe)

Vai matar

(Eu juro)

Não há fantasma da Ópera

Mas quem é este, então?

(Mas quem é este, então?)

Que quer matar?

(Que adora matar)

E eu já não sei fugir

(A voz que entrou em ti)

Não sei voltar

(Pra nunca mais)

Um labirinto só

Que não tem fim

O Fantasma da Ópera está

Dentro de ti (mim)

Não há Fantasma da Ópera

Eu sei, eu vi

Vi seu mundo na escuridão

Vi um mundo onde o dia

Desmancha-se em trevas

Trevas

Eu sei, eu vi

E não vou esquecer jamais

Já não posso escapar desse rosto

Disforme e sem cor

Como um rosto sem rosto na treva

Treva

Mas a voz me invadiu

E a alma encheu de som

E era um som

Como nunca eu conheci

E eu subi

Como um anjo sobe ao céu

E ouvi mais que a vida já me deu

Era só

Mais um sonho, um sonho teu

E em seu olhar

Que tristeza sem igual

Num só olhar

Todo doce, todo sal

Christine

Christine

PRECISO OUVIR DE TI

Já não há mais trevas

Não mais há escuridão

Eu vim, eis meu braço

Repousa o teu cansaço

Deixa eu ser teu dia

Teu pranto arrefecer

Eu vim, eis-me a teu lado

Teu guarda e teu criado

Diz pra mim

Que o teu amor é certo

Abre em mim

As portas do verão

Diz que eu sou

O teu maior encanto

Que me quer

Pra sempre, sempre aqui

Preciso ouvir de ti

Deixa eu ser teu teto

Deixa eu ser a luz

Eu vim, não há perigo

Agora estás comigo

Eu só quero o dia

No fim da escuridão

E tu, sempre ao meu lado

Meu norte, meu passado

E diz pra mim

Que nada mais importa

Diz que quer a vida

Ao lado meu

Diz que a solidão

Já foi embora

Onde quer que vás

Estou ali

Christine

Preciso ouvir de ti

Diz pra mim

Que nada mais importa

Diz que o teu caminho

Agora é meu

Vem comigo

Atrás de um novo dia

Onde eu for

Estou ali

Amor

Preciso ouvir de ti

Onde quer que vás

Estou ali

Amor

Preciso ouvir de ti

Devo ir

Estão atrás de mim

Espere por mim

Christine

Te amo

Junte os teus cavalos

E espere no portão

Então, logo contigo

Meu guarda, meu amigo

EU TE DEI A MÚSICA / EU PRECISO OUVIR DE TI (REPRISE)

Eu te dei a música

Eu te dei o som

E então

Como pagaste?

Traiste, me enganaste

Ele só te ama

Pois te ouviu cantar

Diz pra mim

Que nada mais importa

Diz que o teu caminho

Agora é meu

Vem comigo

Atrás de um novo dia

Vai pagar

Bem caro quem traiu

O que o Fantasma só pediu

CARNAVAL

André, que festa encantadora

Prelúdio para um ano bom

Eu amei, eu babei

Eu até chorei

Bom pra nós

A nata da cidade

Que maldade

Que o Fantasma não entrou

Carnaval

Mascarado festival

Carnaval

Sob o véu

Cada qual

É sempre outro

Carnaval

Tantas faces no plural

Carnaval

Todo certo

É igual a todo torto

Cada um, cada qual

Outro mais, outro igual

Verde aqui, lá marrom

Coração, eis um clown

Rostos

Um por um

Vão entrar

No alegre vagão

No insano carrossel

Cobra e cão

Frade e frei

Todos vão

Colibri, jacaré

Rouxinol, chimpanzé

Rostos

Bebe um, bebem dois

Cai no chão, cai do trem

Perde a mão

Mas tudo atrás do véu

Carnaval

Quanta carne em procissão

Carnaval

Bebe mais

Deixa entrar

O show é lindo

Carnaval

E os olhares, quantos são?

Carnaval

Olha bem

Tem alguém ali sorrindo

Carnaval

Entre as sombras, quem será?

Carnaval

Cada um sabe bem

A quem engana

Carnaval

Toda farsa valerá

Carnaval

Mas no fim

Tem alguém te atazana

Noite assim

Multidão

Bem feliz

Que emoção

Todo crem de la crem

Vem pra ver

E o nosso medo já passou

(Seis meses)

Mas que paz

Que prazer

A mais calma estação

O peito se acalmou

Sem bilhetes

Sem fantasma

(Tudo bem)

Só brindar

Ano bom que já vem

Novo lustre também

Seis meses

Já passou

Mas que noite feliz

Que grande carnaval

Pensa em nós

Noivado secreto

Olha bem pra mim

E pensa em nós

Porque é um segredo?

Por que fazer assim?

Você jurou

(Você jurou)

Vão todos perceber

Pois que percebam

Não é crime

O nosso amor

Diz pra mim

Do que tens medo

Não briguemos

(Não briguemos)

Eu prometo

(Eu espero)

Hás de

(Que hei de)

Compreender, amor

Carnaval

Mascarado festival

Carnaval

Sob o véu

Cada qual

É sempre outro

Carnaval

Quantas faces no plural

Carnaval

Todo certo

É igual a todo torto

Carnaval

Quanta carne em procissão

Carnaval

Bebe mais, deixa entrar

O show é lindo

Carnaval

E os olhares quanto são?

Carnaval

Olha bem

Tem alguém ali sorrindo

Que silêncio sepulcral

Vós pensastes

Que eu sumi de uma vez?

Que saudades, afinal

Eu vos trouxe uma ópera

Eis aqui o que escrevi

Don Juan Triunfante

Eu sugiro obedecer

Minhas ordens não trair

Há coisas bem piores

Do que um lustre a se partir

E tu, sempre tu

Cantarás para mim

CARTAS II / QUE RUMOS ESCOLHER?

Péssimo

Você leu isto?

Mas é péssimo

Nunca vi pior

É ridículo

De um mal gosto atróz

Que ridículo

Mas quem somos nós?

E se outro lustre espatifar?

Isso acaba de chegar

“André, repare os meus arranjos

Requerem uma tuba a mais

E o rapaz do trombone

Assassina o som

Péssimo

Demitam este surdo

É um absurdo

Tantas notas infernais”

“Firmin, a minha obra exige

No coro alguma afinação

Demitir, vamos lá

Pois assim não dá

Péssimo

O coro é um problema

Tenham pena

Mas a cena é pra cantar”

Crime

Mas o que foi?

Mas essa série é um crime

Senhora, não

Mas essa agora

O tamanho do meu papel

Senhora, ouça

Insulto

Você também?

Mas veja bem

É um insulto

Mas, por favor

Senhor, senhora

As coisas que se faz pela arte

Se é que esse entulho é arte

Eis nossa florizinha

Christine é nossa nova estrelazinha

Não há papel melhor que o seu

Em Don Juan

Christine Daaé?

Mas ela não tem voz

Senhora, não

Devo achar que concordais?

Truque dela

Mas que escolha temos nós?

Tudo é truque dela, Christine Daaé

Mas como?

Eu bem que sei

Mulher demônio

Mas como?

Que tola eu fui

Mas como ousa?

Pois eu não quero nenhum papel

Miss Daaé, é claro

Porque não?

Mas como assim?

Eu não entendo

Porque não?

Amarelou

Mas é um contrato

Não posso mais cantar o papel

Christine, Christine

Ninguém pode obrigar-te

Bom monsieur

Chegou mais um

“Saudações a todos vós

Muita atenção

Até o ensaio começar

Carlotta, saiba que atuar

É ser mais que mariposa

Atrás de luz

Don Juan, emagrecer

Essa idade, esse peso

Meu Jesus

Produtores, por favor

Vosso encargo é só pagar

E não pensar

Quanto à miss Christine Daaé

Não há nenhum senão

Pois sua voz

É puro encanto

Embora a perfeição

Só virá se entender

E seu caminho a trouxer a mim

Seu mestre

Seu mestre

Vosso amigo, criado

E anjo”

Eu não vou fazer!

Nós, que cegos nós

E a resposta aqui no nosso nariz

Eis a nossa vez

De acabar com esse vilão

Pois fale

Então

Sim, como ele quer

Jogar seu jogo

E chegar a um final feliz

Pois se Christine cantar

Ele assistirá, então

Tranquem portas

Com seus umbrais

Entrem guardas

Com seus punhais

Prontos para atacar

O pano cai

Na maldição

Loucos

Será que sim?

Mas pode ser

Estão loucos

Quem sabe não?

Monsieur, pois creia

Não há como

Essa coisa mudar

Retorne a dança

Pois, diga

Monsieur, não posso

Ajude a todos e diga

Quisera eu

Não dê desculpas

Ou é ele

Quem pretende ajudar?

Ele é cupincha

Monsieur, eu juro

Que não quero o mal

Mas, monsieur

Cuidado com o poder fatal

(Pois eis agora o seu final)

Sim, é truque dela, Christine

Só pode ser

Christine Daaé

(Ele está perdido)

Se esse plano vinga assim

(Eis meu ódio)

O tal anjo tem seu fim

(...)

Tenho medo

Eu não consigo

Eu te peço

Eu não quero

Entrar nesse jogo, eu não

Pois ele virá

E me leva pra sempre

Pra nunca voltar

Era sonho e agora é penar

Se ele vem esse mal não tem fim

E a voz aqui dentro

A cantar e a cantar

A voz aqui dentro

A cantar e a cantar

Ela é louca!

Tu sabes bem

Só um homem ele é

E ainda assim

Vai voltar e atormentar

Entre as emoções

Que rumos escolher?

Que chances tenho eu

Na luta pra viver?

Trair a quem me deu

A inspiração da voz?

Ser um brinquedo seu

Ou ser o seu algóz?

Matando sem pensar

Não poupa mais ninguém

Não posso recusar

Mas como ir além?

Ó, Deus, se eu concordar

Que horror vou enfrentar

Na ópera do Fantasma?

QUEM ME DERA VÊ-LO OUTRA VEZ

Por entre os sonhos meus

Sempre a cantar

Aquela voz dos breus

A convidar

Linda Lotte

Que pensava em tudo e nada

Seu pai lhe prometeu

Que enviaria o anjo da música

Seu pai lhe prometeu

Seu pai lhe prometeu

Foi você

O companheiro

Nada mais eu tinha

Mais que o pai

E mais que um amigo

E eis-me então sozinha

Quem me dera vê-lo outra vez

Quem me dera vê-lo aqui

Basta eu sonhar

E acreditar

Que é você ali

Quem me dera ouvir a sua voz

Mas eu sei que nunca mais

Os sonhos meus

Não trazem dos breus

Seus olhos sem igual

Tantos anjos

Tantos sinos

Frio monumento

Pra você

Que foi somente

Puro sentimento

O que eu chorei?

Quando eu lutei?

A dor não passa mais

Quem me dera vê-lo outra vez

Mas agora é só adeus

Me dê a mão

E o seu perdão

Que me ilumina os breus

Não mais lágrimas

Não mais solidão

Não mais culpa

Me ensine essa lição

Que é dizer adeus

Que é dizer adeus

POBRE CRIANÇA

Pobre criança

Assim, perdida

Clama por seu mestre

Anjo ou pai?

Ou só fantasma?

Quem é você, quem é?

(Já esqueceste o teu anjo?)

Anjo, me diz

Porque sussurras

Frases sem fim, anjo

Longos invernos passaste

Sem meu calor e paixão

Meu pensamento me afasta

Resistes

Mas tua (minha) alma não

Anjo, de ti (mim)

Eu (tu) só fugia (fugias)

Longe do que é belo

Anjo, serás (serei)

O meu (teu) caminho

(Não mais te afastes)

Estranho meu (teu) anjo

NÃO HÁ RETORNO MAIS / PRECISO OUVIR DE TI (REPRISE) / OUTRA VEZ AO COVIL / O ASSASSINO NÃO PODE ESCAPAR

Tu vieste

Com a ânsia e os desejos teus

À procura de um fogo

Esquecido fogo

Fogo

Eu te trouxe

Para perto dos sonhos teus

E os teus sonhos serão

Como os sonhos meus

Já não há como escapar

Aos chamados meus

Pois somos tu e eu

Quiseste assim teu destino

Destino

Já não há retorno mais

Não há mais volta

E os jogos de fingir

Não valem mais

Já não há nenhum talvez

Não mais perguntas

As dúvidas ficaram para trás

Qual fogo as almas vão queimar?

E quantas portas não se abrir?

Que doce encanto nos

Espera?

Já não há retorno mais

Não mais saídas

Segredos nos esperam

Nos umbrais

Depois que não

Voltarmos mais

Me trouxeste

Onde as frases não valem mais

E as palavras derretem

Silêncio no fogo

Fogo

Aqui estou eu

Sem saber o que aqui me traz

Em meus sonhos eu vi e previ

Os dois corpos unidos

E mudos, inquietos

E agora eis-me, então, aqui

Eu quis assim meu destino

Destino

Já não há retorno mais

Nenhum desvio

Um laço da paixão

Já deu seu nó

Já não mais bem ou mal

Mas eu pergunto

Quando é que juntos

Vamos ser um só?

Quando é que o

Sangue há de correr?

E o que dormia há de ascender?

E a chama, enfim, em nós

Ardendo

Já não há retorno mais

Não há mais portas

Atravessamos todos os umbrais

E já não há retorno mais

Diz pra mim

Que nada mais importa

Diz que quer

A vida ao lado meu

Diz que a solidão

Já foi embora

Onde quer que vás

Estou ali

Christine

Preciso ouvir de…

Outra vez ao covil

Da minha solidão

Outra vez a prisão

Que existe em mim

Ao inferno da treva mais cruel

Mas porque lugar assim

É o lugar que me acolheu?

Só por ter a face assim

Este rosto abominável

Que sou eu

Perseguiu-me cada qual

Vendo ódio em cada um

Nenhum doce, apenas sal

De cuidado só jejum

Christine

Christine

O assassino não pode escapar

O assassino não pode escapar

A besta fera há que se encontrar

Quem sempre atormentou

E perseguiu

O Fantasma da Ópera está

No seu covil

Aqui, o Fantasma da Ópera

Aqui, o Fantasma da Ópera

ESCONDERIJO FINAL

Teu desejo de sangue

Afinal, tu irás saciar

E a carne eu serei

No teu paladar

O mesmo destino

Que em meu sangue me ungiu

Da carne afastou-me

Qualquer sensação

O rosto é o veneno

Que insulta esse amor

O rosto meu

Que minha mãe negara

O rosto mau

Que a máscara repara

Piedade, não

Olha o teu destino, então

Para sempre essa

Visão aos olhos teus

Teu rosto já

Não me assusta

Nem me dói

Teu coração

É que guarda todo o horror

Espere!

Eu acho que

Tem mais alguém

Ah, mas que prazer

Mas que honra sem igual

Eu bem que quis

Vos receber

Pois bem

Agora sim

Essa noite é especial

Chega

Por Deus, eu peço

Já chega

Tu não tens pena?

Teu noivo

Faz o show da paixão

Raoul, é inútil!

Eu peço

Por compaixão

É que eu peço

Pois eu a amo!

Do mundo

Eu não vi compaixão!

Christine, Christine

Quero vê-la

À vontade

Monsieur, eu afianço

Mal a ela eu não faria

Ela não vai pagar

Se os pecados são teus

Chama teus cavalos já

Levanta a mão

Para perto do olhar

Nada te salva mais

Exceto só Christine

Vem viver só pra mim

Salva assim o teu amor

Recusa e ele vai

Para a morte como um cão

Eis a questão

Eis que não há retorno mais

Chorei por ti

Por compaixão e dó

Mas eis, que agora é ódio e só

Christine, perdoa

Me perdoa

Adeus, meu falso

Amigo impostor

Tarde pra voltar

(Esperanças já não há)

Não há perdão

(Nem nada)

Não há mais chance já

Não há saídas mais

Não mais batalhas

De qualquer jeito

Tu só vais perder

Então comigo vais ficar

Ou ele então há de morrer?

Mas tu preferes as mentiras?

Já não há retorno mais

(Anjo da música, eu)

Não há mais portas

(Te peço)

A vida dele é o preço que pagais

(Por que sofrer?)

Lutei pra ver-te livre

Pois já não há retorno mais

(Anjo da música)

Me enganaste

Eu te segui cega

ESCONDERIJO FINAL II

Tu, criatura das trevas

Da vida só viste o nó

Que Deus me ajude a mostrar-te

Não estás mais só

(...)

Carnaval

Mascarado festival

Carnaval

Sob o céu cada qual

É sempre outro

Christine, te amo

Diz pra mim

Que nada mais importa

Diz que o teu

Caminho agora é meu

Vem comigo

(Eu te amo)

Atrás de um novo dia

Só você foi minha inspiração

A música

Calou na escuridão